A raça ovina Serra da Estrela representa um legado rural ancestral e um elemento cultural fulcral da região. Criada em exploração extensiva na serra homónima, esta raça destaca-se pela sua notável versatilidade, combinando tradições pastorícias, queijo de renome e adaptações naturais.
Origens antigas e história pastoril
Os antepassados da Serra da Estrela descenderiam de ovinos selvagens da Península Ibérica, incluindo o muflão europeu e asiático. Estudos paleontológicos apontam para evidência de pastoreio na serra há cerca de 10 000 anos.
A transumância (prática de migrar com o rebanho entre vales no Inverno e planaltos no Verão) foi uma realidade para muitos criadores durante séculos. No entanto, fatores como alterações sanitárias, despovoamento rural e modernização agrícola tornaram esta movimentação praticamente obsoleta hoje em dia.
Da lã ao leite: A evolução das aptidões
Antigamente, o principal valor da raça estava na lã, com forte procura na indústria têxtil da região nas décadas passadas. A variedade de velo preto ficou confinada inicialmente à zona designada “Cordinha” (Oliveira do Hospital), mas atualmente já está mais disseminada, embora ainda represente apenas cerca de 10% dos rebanhos.
Com a chegada da linha férrea da Beira Alta, a vertente leiteira intensificou-se: O queijo “Serra da Estrela” passou a ganhar importância na economia local, tendo saído das explorações familiares para mercados mais vastos.
Atualmente, a lã tornou-se quase um subproduto, enquanto a produção leiteira, com foco no famoso queijo DOP e no borrego de leite Serra da Estrela, assume protagonismo nas explorações.
Padrão físico e caraterísticas distintivas
A raça Serra da Estrela apresenta atributos físicos muito característicos:
- Conformação: Animais robustos, dóceis, de porte médio, com boa fertilidade e prolificidade.
- Pelagem: Velo branco ou preto, pouco extenso, com fios predominantemente na zona dorsal. A lã é do tipo cruzado fino, com toque agradável e ligeiramente áspero.
- Cabeça e corpos: Cabeças de forma piramidal com chifres em ambos os sexos, tronco longilíneo, úbere desenvolvido com sulco mediano visível.
- Membros e pele: membros finos e bem aprumados; pele elástica, untuosa, de cor consoante a pelagem (branca ou preta).
Fonte: DGAV
Produção leiteira e indicações de qualidade
Os primeiros registos técnicos de produção de leite datam de 1944: Numa época em que se mediava minuciosamente o rendimento, as ovelhas produziam em média 109 litros por lactação, ou cerca de 0,5L por dia.
Hoje, esse leite continua a ser a base do famoso Queijo Serra da Estrela DOP, um produto gastronómico de excelência e identidade regional. A carne de borrego, conhecida como borrego Serra da Estrela DOP, complementa essa tradição de alta qualidade.
Relevância atual e desafios
A raça mantém-se enquanto símbolo da agricultura sustentável e da luta pela manutenção das tradições pastorícias. No entanto, enfrenta desafios como:
- Redução das transumâncias tradicionais devido à mudança dos hábitos agrícolas e limitações sanitárias e socioeconómicas.
- A valorização agrícola da lã, antigamente essencial, perdeu peso económico face a novas formas de fertilização e produção de forragens industriais.
Conclusão
A ovina Serra da Estrela transcende a mera produção pecuária: É um ícone cultural que reflete séculos de saberes, adaptações e persistência rural. Hoje, continua a brilhar através do seu leite e carne reconhecidos com selo DOP, mantendo viva uma tradição que alia natureza, gastronomia e identidade.
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